Segunda-feira, 25 de Maio de 2009

Out of Rio

Uma estrela movediça e crescente no céu azul violeta alaranjado ouro velho
tintas derramadas no adeus do sol
Aeroplano no horizonte
e eu presa na geléia geral plebéia da perimetral.
Em casa, o cartucho preto na impressora me avisa:
cores ao alto.
Deixo as cores pro céu onde a luz plana.
No asfalto niger, buzina, buraco e calombo
dor e medo
me lembram que a terra é redonda
e que não há tombos rumo ao infinito.

Segunda-feira, 18 de Maio de 2009


É Samedi.
Parece que vim de Salém.
Nas estações dessa semana
vi gente de tanta cor,
na minha cabeça tocava Caetano
com a pergunta que jamais cala em mim:
Eu sou neguinha?
Também.
Sou Suleiman
Em Genebra, primavera, patrícios, kebabs.
Minha cor,
meus aparatos rosa pink
de Victoria Secrets para o eterno Samadhi.
Suleiman sempre neguinha,
fa-ber-glas-ted
com as perguntas perenes
e as respostas coloridas.

Eu vim de além
mar
deserto
cruzada
Sobrevôo a Espanha amarela encantada.
Pra sempre pergunta,
pra sempre tomada
pelo mouro.

Segunda-feira, 23 de Março de 2009

Dá licença.


Pára o mundo que eu quero descer.

Quarta-feira, 4 de Março de 2009

Eu viro criança com uma certa frequência. É um processo simples: entro numa papelaria com pastas coloridas e muitos lápis de cor e pronto. Ou em dia de aniversário (o meu ou o dos outros), quando eu cismo de fazer docinho e confeitar bolo. Me lambuzo. Também viro criança quando discuto com violência, porque elevar meu tom de voz me dá vontade de chorar. Mas uma das coisas que mais provoca a criança em mim são os gatos. Eu amo gatinhos. Regrido total, converso com eles, sei que sou compreendida e sempre rola uma cumplicidade incrível.

Estas últimas semanas foram marcadas pelos gatos. No campus da universidade eles dominam, dormem em qualquer lugar e sempre tem potinhos de comida e água espalhados pelos cantos. Na casa do Sandro e da Paia, Frida é uma atração à parte. Linda. Na casa da minha mãe, Zara, a impossível, morre de ciúmes (e de amores) por mim.

Mas o destaque de fevereiro vai para essa mimosa aqui:


Ela dormia no frio absurdo, enquanto o realejo tocava. Não pude me conter, parei ali mesmo e ignorei meu atraso - imperdoável, naquelas bandas. Falei com a gatinha, ela me respondeu, meio acordada, meio cochilando. Trocamos confidências. Colaborei com o velhinho que tocava o realejo e fiquei ali, admirando a inocência, derretendo no palato um quadradinho de chocolate e sonhando com um mundo de gatinhos, lápis coloridos, doces de leite Ninho e velas teimosas em bolos confeitados. Falei baixinho, com voz de gato, ronronei. Lembrei de todos os meus gatos amados - Babushka, Freddie Mercury, Chatô, Shitara, Morena, Tomé, Ray Charles e F.Dona. Praticamente engatinhei de volta pro hotel, querendo com urgência aquecimento e café.

Saudades de casa.

Segunda-feira, 15 de Dezembro de 2008

Só pra lembrar:

You don't have to take everything so seriously, Graciela. Reality isn't black and white, answers don't have to be yes or no, and absolutely nothing has to happen today. Act when you're ready. Be led by your feelings. And the next time someone wants to fit you into a mold, just tell 'em that your jeans are in the wash, your angel's at the mall, and Oprah's on the other line.

Fuzzy as dice -
The Universe

You're a spiritual being, Graciela, on an eternal quest [grifo meu], in a love-adventure you get to design. Do it your way.
India in bits and pieces...part II

A Índia só tem duas partes: a chegada e a partida. Ainda me recupero da segunda - há três dias descompensada, como e enjôo, durmo antes das 7 da noite e ao longo do dia bamboleio, pensando em quando vou voltar lá novamente...se é que vou.



Eu vou, sim. É instigante esse lugar onde me sinto, ao mesmo tempo, em casa e em outro planeta (como se fôssem coisas diferentes, hehehehe!!!).

Mais complicado são os sentimentos alternados: empatia e aversão, reconhecimento e medo, amor e ojeriza. Porque não há meio termo ali, para mim. Não sou turista. Não é possível ser turista dentro de um rickshaw, no meio da poeira, das ruas sem mão e contra-mão, das mulheres te agarrando com uma mão e segurando crianças desnutridas com a outra, dos velhos desdentados que abrem bem a boca pra mostrar o tamanho da fome, das centenas de cabritos pintados no lombo que serão sacrificados no dia seguinte.



Na volta da Índia, Amsterdam e Paris. Tudo normal, o Natal vai ser lindo, cintilante.

Os cheiros da Índia sempre estarão em mim.

Terça-feira, 2 de Dezembro de 2008

India in bits and pieces...part I

Assunto:Re: Fwd: Promoção para Ongs que abrigam animais abandonados
Data: Tue, 02 Dec 2008 18:46:40 -0300
De: Graciela
Para: Viviane

Eu queria *muito* dormir. São 2:15 aqui - já deitei, apaguei a luz... nada.
deitei, li..apaguei a luz...nada.
liguei a tv,...nada.
Um saco!!
Ontem fui dormir às 5 e meia e acordei às 8. E tem gente que acha que eu me divirto nessas viagens...hahahahahahaha!!!!!
E amanhã vou ter que falar na frente de um monte de gente parecendo um guaxinim de tanta olheira...divertidíssimo...ha...ha...hah...

Ainda bem que amanhã é dia de São Francisco Xavier. Eu beijo o santinho e encaro a platéia.

bjs
Graci

viviane escreveu:
>
> Oi Graci
> Você está certa. Só mandei para verificar mesmo. Outra coisa. Estamos com quanta diferença de horários? Cê não vai dormir, não? bjs. vivi


Estou amando Hyderabad.

Quarta-feira, 5 de Novembro de 2008

Vi essa imagem em frente ao Pinel, no muro do Rocha Maia.
Grande verdade.
Você já teve sua privacidade invadida? Eu já.
É uma enorme violência. E, como em outras violências, nos crimes de invasão de privacidade muitas vezes a vítima acaba acusada, e o criminoso impune - quase um justiceiro.

Mas como tudo na vida tem um lado bom, tirei disso uma lição, um projeto de mestrado, muito gosto por Foucault e um 9,5 na ECO.

Na continuidade, talvez eu decida fazer formação psicanalítica.