Segunda-feira, 2 de Junho de 2008

Das bênçãos de ser terreno: o próximo passo

Hawvlan lachma d'sunqanan yaomana

O pão nosso de cada dia nos dai hoje.

Garanta o que necessitamos cada dia, em pão e insight:
subsistência para o chamado da
vida crescente.

Dê-nos o alimento de que precisamos para crescer
a cada novo dia,
através de cada iluminação sobre as necessidades da vida.

Deixe a medida de nossa necessidade ser o nosso ser terreno:
dê-nos todas as coisas simples, verdejantes,
apaixonadas.

Produza em nós, para nós, o possível:
cada passo humano em direção ao lar,
ilumine.

Ajude-nos a cumprir o que jaz dentro
do círculo de nossas vidas: que a cada dia peçamos
não mais, não menos.

Anima a terra dentro de nós: então sentiremos
a Sabedoria que está subjacente,
apoiando tudo.

Gere, através de nós, o pão da vida:
nós temos justamente o que é necessário para alimentar
a próxima boca.

Garanta o que necessitamos cada dia, em pão e insight.

Prayers of the Cosmos
Meditations on the Aramaic words of Jesus

Terça-feira, 25 de Março de 2008

Em língua castelhana, quando queremos dizer que ainda temos esperança, dizemos: abrigamos a esperança. Bela expressão, belo desafio: abrigá-la, para que não morra de frio nas implacáveis intempéries dos tempos que correm”.
Eduardo Galeano

Strange days, indeed.

Domingo, 25 de Novembro de 2007


Padroeira de todos os souks

Já comprei feijão fradinho, quiabo, dendê.
A rosa vermelha eu deixo pro dia.
São vinte e uma pra agradar, às vezes dá trabalho.
Mas eu gosto. O vento desse ano tem cheiro de trabalho de parto.

Sábado, 8 de Setembro de 2007

Pois é. O Paulo Lima contou e eu confirmo. Almoçamos com o Tom Zé, na Cinelândia. O Mauro também é testemunha.

O Tom Zé parece ser um cara bacana. Hábitos frugais. Bebeu água sem gás, comeu legumes cozidos. Comi a mesma coisa. Só que eu não sou frugal.

Fique espiando o Tom Zé, de soslaio, com medo de um olho no olho. Vi que ele tem hábitos estranhos. Enche a taça de água e depois pega o guardanapo, branco, dobradinho, e pousa na boca da taça. Parecia rito católico. Aquilo me deixou pensando um bocado.

Aí li, do Zé:

Se eu pudesse atrasaria
Este relógio dois mil
Pra rezar na primeira missa
Pelo futuro do Brasil


Passou o sete de setembro, e só no oito eu entendo a homilia. Não rezei como deveria, no sete - mas fiz o minuto de silêncio. Depois da homilia, vem o Credo. Eu, crédula ainda, abro a boca para tudo que é consagrado. O futuro.

Ave, Zé.

Terça-feira, 21 de Agosto de 2007

Eu fiz análise por quase seis anos. Me lembro de umas poucas palavras solitárias, perdidas, escapulidas da minha cabeça em dias de sibéria: dias de paladar intragável e ritos de morte horripilantes.

Do muito que eu disse, quase nada ficou. Era pra expurgar, e foi.

Mas do que não foi dito...disso minha memória se alimenta.

Presente da minha analista - um bilhetinho, onde se lia:

A man, in some aspect, is:
like all other men;
like some other men;
like no other man.


Uma lágrima fugiu dela no dia da alta. Sim, ela me deu alta. A mim e à barriga que eu empinava desafiadora, perto de parir, símbolo vivo e agudo da minha opção pela vida.

Ninguém explica.

Sábado, 18 de Agosto de 2007

"Eu vi chover, eu vi relampear
mas mesmo assim o céu estava azul."

Tem dias que eu penso que fui forjada no fogo.
Tudo retine.
Tem dias que eu penso que fui cozida a vapor.
Tudo embaça.

Quarta-feira, 8 de Agosto de 2007


Nova amiga

Wild, wild life...