Com licença poética
Adélia Prado
Quando nasci um anjo esbelto,
desses que tocam trombeta, anunciou:
vai carregar bandeira.
Cargo muito pesado pra mulher,
esta espécie ainda envergonhada.
Aceito os subterfúgios que me cabem,
sem precisar mentir.
Não sou tão feia que não possa casar,
acho o Rio de Janeiro uma beleza e
ora sim, ora não, creio em parto sem dor.
Mas o que sinto escrevo. Cumpro a sina.
Inauguro linhagens, fundo reinos
- dor não é amargura.
Minha tristeza não tem pedigree,
já a minha vontade da alegria,
sua raiz vai ao meu mil avô.
Vai ser coxo na vida é maldição pra homem.
Mulher é desdobrável. Eu sou.
segunda-feira, 30 de julho de 2001
- Que é que tu tá falando, ô meu filho?
- Slow down.
- Que diabos,...ops (perdão).
- I know you ment it. Be cool.
- Fico aqui pensando porque é que tu nunca fala na língua certa.
- Cause love is such an old-fashioned word and love dares you to...
- Apelou! Fuck you!
- I bet you knew the lyrics by heart. Hahahahaha!
E esse réquiem tem letra?
quinta-feira, 26 de julho de 2001
Tan, tan.. tan-tan-tan-tan-tan- tan, tan....
tan-tan-tan-tan-tan- tan, tan....
tan-tan-tan-tan-tan..TAN!
Todo mundo lembra da abertura da Jeannie é um Gênio, né?
Aquela mulher tinha que ser Barbara....tem o paraíso no nome!
Eu até que gostava da Samantha. Mas aquele "pirulirulim!" que acompanhava as tremidinhas do nariz dela nunca me convenceu.
O melhor naquele seriado era a Endora, que usava sombra verde e delineador carregadésimo nos olhos.
Bruxona porreta.
tan-tan-tan-tan-tan- tan, tan....
tan-tan-tan-tan-tan..TAN!
Todo mundo lembra da abertura da Jeannie é um Gênio, né?
Aquela mulher tinha que ser Barbara....tem o paraíso no nome!
Eu até que gostava da Samantha. Mas aquele "pirulirulim!" que acompanhava as tremidinhas do nariz dela nunca me convenceu.
O melhor naquele seriado era a Endora, que usava sombra verde e delineador carregadésimo nos olhos.
Bruxona porreta.
- ???
- Ouviu? O espanador. Como é que você deixa isso ficar desse jeito? Tem poeira, teia de aranha...
- Hehehe. Teia de aranha é de se esperar. Faz tempo que não apareço aqui.
- Você devia ser mais cuidadosa com suas coisas. Ninguém progride na vida, desse jeito.
- Ok, só que este é um espaço virtual, não é uma coisa. Vá fazer o seu serviço. Aliás, quem é você pra me dar ordens?
- Se é seu, você tem que cuidar. Releia o Pequeno Príncipe, minha filha. Vai lhe fazer bem. E passe mais tempo conversando com sua avó. Ela vai lhe ajudar a lembrar o que são capricho e boas maneiras. Sou a Lua em Capricórnio. Entendeu bem?
- Sim senhora. Entendi. Desculpe o tom.
- A vida é assim...eu devo merecer sua ingratidão.
- Caceta!!! Foi mal...
- Olha os modos!!!
domingo, 15 de julho de 2001
sábado, 14 de julho de 2001
No Grande Theatro de Fusili,
todo mundo desempenha um papel.
Todo mundo faz Fusili rir.
Fazemos graça para uma platéia invisível
que nos aplaude enquanto somos patéticos.
Na verdade, depois de bem pouco tempo
de espetáculo em cartaz,
passamos as tardes de folga cerzindo as cortinas
que escondem o tablado.
todo mundo desempenha um papel.
Todo mundo faz Fusili rir.
Fazemos graça para uma platéia invisível
que nos aplaude enquanto somos patéticos.
Na verdade, depois de bem pouco tempo
de espetáculo em cartaz,
passamos as tardes de folga cerzindo as cortinas
que escondem o tablado.
quinta-feira, 12 de julho de 2001
- Senhora Vênus....
- Hein?
- Como é que você foi parar em Aquário?
- Sei lá, escorreguei.
- Ok. A senhora poderia assim....tirar umas férias...em Capricórnio?
- Sem chance. Tem muita gente lá. Preciso de ar.
- Mas, uma vez lá, a senhora não vai se importar com as companhias...
- Hã, hã. Não vou. Vou gastar o seu dinheiro um pouco, porque você anda muito pastel. Vá comprar uns badulaques novos. Vem cá, por que vc não faz uns reflexos vermelhos no cabelo? Ia ficar interessante.
- Eu estou falando sério.
- Esse é o seu problema. Não estou ouvindo, não percebeu?
(ela põe os dedos nos ouvidos e fica cantarolando).
- Hein?
- Como é que você foi parar em Aquário?
- Sei lá, escorreguei.
- Ok. A senhora poderia assim....tirar umas férias...em Capricórnio?
- Sem chance. Tem muita gente lá. Preciso de ar.
- Mas, uma vez lá, a senhora não vai se importar com as companhias...
- Hã, hã. Não vou. Vou gastar o seu dinheiro um pouco, porque você anda muito pastel. Vá comprar uns badulaques novos. Vem cá, por que vc não faz uns reflexos vermelhos no cabelo? Ia ficar interessante.
- Eu estou falando sério.
- Esse é o seu problema. Não estou ouvindo, não percebeu?
(ela põe os dedos nos ouvidos e fica cantarolando).
quarta-feira, 11 de julho de 2001
Recado do Hans:
*saudade*, no visor do celular.
Meu precioso amigo me ajudou a descobrir o Renato Russo numa hora em que eu queria morrer - ou matar alguém, sei lá.
"O que foi escondido é o que se escondeu
E o que foi prometido, ninguém prometeu".
Não é que é mesmo?
Custou pra cair a ficha, mas anos depois ninguém precisa cantar pra me lembrar:
"nem foi tempo perdido."
Hans é sabido. E querido. Como a maioria dos cachorros vadios que eu conheço.
É gente da minha espécie. Morre, não deita e renasce - três vezes por dia.
*saudade*, no visor do celular.
Meu precioso amigo me ajudou a descobrir o Renato Russo numa hora em que eu queria morrer - ou matar alguém, sei lá.
"O que foi escondido é o que se escondeu
E o que foi prometido, ninguém prometeu".
Não é que é mesmo?
Custou pra cair a ficha, mas anos depois ninguém precisa cantar pra me lembrar:
"nem foi tempo perdido."
Hans é sabido. E querido. Como a maioria dos cachorros vadios que eu conheço.
É gente da minha espécie. Morre, não deita e renasce - três vezes por dia.
domingo, 8 de julho de 2001
terça-feira, 3 de julho de 2001
quinta-feira, 28 de junho de 2001
Over
A cara pra lá
A cara pra cá
Tapa pra lá
Tapa pra cá.
Terror de saber do mundo.
Deixe-me de fora
E deixe-me ir mais alto,
Além das ruas,
Ciscar em outra vizinhança.
As pessoas caminham,
Os bebês engatinham.
Eu não faço uma coisa nem outra.
Eu sento em cima do muro,
Cato cacos de sanidade
E dou risada das cafonices.
A cara pra lá
A cara pra cá
Tapa pra lá
Tapa pra cá.
Terror de saber do mundo.
Deixe-me de fora
E deixe-me ir mais alto,
Além das ruas,
Ciscar em outra vizinhança.
As pessoas caminham,
Os bebês engatinham.
Eu não faço uma coisa nem outra.
Eu sento em cima do muro,
Cato cacos de sanidade
E dou risada das cafonices.
Eu tenho uma response abilidade.
Glória aos céus.
Que seria de mim sem esse talento?
Eterna vítima? A pior carrasca?
Sai de mim.
O único sacrifício que me permito de hoje em diante é ficar hanging around até perder a cabeça.
Matando os micróbios e os vermezinhos verdes de pensamentos inúteis com Tequila -
que é santa e purifica tudo.
No mais: que minha response me habilite.
Glória aos céus.
Que seria de mim sem esse talento?
Eterna vítima? A pior carrasca?
Sai de mim.
O único sacrifício que me permito de hoje em diante é ficar hanging around até perder a cabeça.
Matando os micróbios e os vermezinhos verdes de pensamentos inúteis com Tequila -
que é santa e purifica tudo.
No mais: que minha response me habilite.
segunda-feira, 18 de junho de 2001
Eu gosto de soprar folhinhas no jardim do Mestre, deitada no chão.
Também gosto de pendurar um balangandã barulhento no meu tornozelo e dançar por deleite.
Gosto de juntar amoras numa caneca de alumínio e me divertir com o espirro do seu suco quando a gente aperta a frutinha entre a língua e o céu da boca.
Gosto de luz e de casas amarelas.
Gosto de gente que se sacode quando ri.
Gosto de café quente e doce, com pão dormido.
Gosto de viajar à noite e de chegar onde haja cama fresca e lençol recém-lavado.
Gosto de saquinhos de anil, vaga-lumes, banho de mangueira, mar calmo, cheiro de hortelã.
Hummm...
Nostalgia.
Também gosto de pendurar um balangandã barulhento no meu tornozelo e dançar por deleite.
Gosto de juntar amoras numa caneca de alumínio e me divertir com o espirro do seu suco quando a gente aperta a frutinha entre a língua e o céu da boca.
Gosto de luz e de casas amarelas.
Gosto de gente que se sacode quando ri.
Gosto de café quente e doce, com pão dormido.
Gosto de viajar à noite e de chegar onde haja cama fresca e lençol recém-lavado.
Gosto de saquinhos de anil, vaga-lumes, banho de mangueira, mar calmo, cheiro de hortelã.
Hummm...
Nostalgia.
domingo, 17 de junho de 2001
sábado, 16 de junho de 2001
sexta-feira, 15 de junho de 2001
quinta-feira, 14 de junho de 2001
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