Me aconteceu uma coisa inédita. Fui desenhada.
Não vou contar em que condições, mas Deus e todo mundo pode apostar que não foi caricatura.
O artista me olhava e rabiscava, lambia a ponta do dedo e esfumaçava tudo o que tinha feito.
Por pouco eu não dizia - não apaga esse pedaço! - mas quando pude finalmente olhar, a obra
estava perfeita.
Admiro demais esse talento.
quinta-feira, 30 de agosto de 2001
Esse cara vê tudo.
Tomei. Tomei mesmo. Todas.
Tava lá na minha frente, aquela garrafinha comprida. Eu já tinha engolido quatro gomos de limão e brincava com os fiapinhos de uma lima-da-pérsia no meio dos dentes, que também já tinha sido traçada com pinga - da boa.
Gastei meia boca num sorriso pro garçon e apontei com o dedo mindinho (pra mais ninguém ver, além dele):
- aquela garrafinha ali.
- Tem certeza? Olha que aquilo pega...
- Pega o que, meu filho, tome tento! Desce a garrafinha, please.
O engravatado nem disse ok, me deu as costas (ele usava mullet - hahaha! - coitado.) e serviu o líquido verde.
Weeellll....abri meu Mac azul ali mesmo, ao som de "Girl you'll be a woman soon" e dedilhei o teclado sem pudores.
Era absinto. Entrei no espírito e expressei minhas impressões. Na lapela do garçon, uma flor enorme girava.
A última coisa de que me lembro foi de ter conversado longamente com um transexual que veio puxar papo, encantado com a minha tatuagem. "Charming..."disse o ser.
"As you like it" - respondi.
Da noite, só sobraram duas lembranças. Um post meio maluco que suscitou dúvidas acerca de minha feminilidade e uma foto (não sei que desnaturado tirou) onde apareço numa fila de cachorras dançando a Macareña.
Tomei. Tomei mesmo. Todas.
Tava lá na minha frente, aquela garrafinha comprida. Eu já tinha engolido quatro gomos de limão e brincava com os fiapinhos de uma lima-da-pérsia no meio dos dentes, que também já tinha sido traçada com pinga - da boa.
Gastei meia boca num sorriso pro garçon e apontei com o dedo mindinho (pra mais ninguém ver, além dele):
- aquela garrafinha ali.
- Tem certeza? Olha que aquilo pega...
- Pega o que, meu filho, tome tento! Desce a garrafinha, please.
O engravatado nem disse ok, me deu as costas (ele usava mullet - hahaha! - coitado.) e serviu o líquido verde.
Weeellll....abri meu Mac azul ali mesmo, ao som de "Girl you'll be a woman soon" e dedilhei o teclado sem pudores.
Era absinto. Entrei no espírito e expressei minhas impressões. Na lapela do garçon, uma flor enorme girava.
A última coisa de que me lembro foi de ter conversado longamente com um transexual que veio puxar papo, encantado com a minha tatuagem. "Charming..."disse o ser.
"As you like it" - respondi.
Da noite, só sobraram duas lembranças. Um post meio maluco que suscitou dúvidas acerca de minha feminilidade e uma foto (não sei que desnaturado tirou) onde apareço numa fila de cachorras dançando a Macareña.
sexta-feira, 24 de agosto de 2001
Ela se virou na cama muito disposta a se permitir mais cinco minutos de sono, quando sentiu um volume inesperado contra o colchão. Sequer abriu os olhos, tateou pra ver o que era...bateu o pânico. Seu seio estava enorme. Três vezes o tamanho normal. Pensou em doença, em distúrbio hormonal durante a noite, em algum pesadelo esquisito, em visita da fada madrinha. O peitão continuava lá, e - o que é pior (ou melhor, mais provavelmente) eram os dois, grandes e duros.
Pulou da cama, arrancou a camiseta e fechou a porta do quarto, pra que ninguém descobrisse a novidade esquisotérica antes que lhe ocorresse uma explicação plausível. Também porque era o maior espelho da casa, aquele de trás da porta. Não deu tempo de avaliar os novos peitos. Parou - congelou - olhando para a própria cara, irreconhecível. Sua boca estava delineada com um lápis marrom e os lábios cintilavam no batom dourado. Os olhos....e isso eram olhos? Sobravam pestanas, os tufos de cílios postiços enormes, fizeram-na lembrar da infância, quando tinha medo de uma caixinha com pestanas pretas de mentira que a mãe guardava na gaveta do banheiro, junto com um tubinho micro de cola. Pois agora estavam lá, penduradas nas suas pálpebras.
Pensou em tocar na imagem refletida, mas quando aproximou a mão do espelho descuidadamente, as unhas estalaram contra o vidro. Tão grandes, que a ponta dos dedos não sentiam o frio do espelho. Aquelas eram garras, e estavam pintadas com uma cor intraduzível, com glitter por cima.
Ergueu a sombrancelha - agora finíssima e muito arqueada, tão fake quanto o resto, rabiscada sem vergonha. O que se passava, afinal? Quem era aquela figura esquisita tomando conta do seu pedaço?
Não teve tempo de esperar uma resposta - a empregada entrou sem cerimônia, colocou uma bandeja com café e comprimidos em cima da cama e deu bom-dia sem espanto.
-Aparecida? (ARGH! O que aconteceu com a minha voz????)
- Que é que houve, patroa?
- Você não tá me achando estranha? (a voz continuava errada, como se estivesse se curando de uma faringite)
- Tô não senhora. Tá sentindo bem?
- Aparecida, você não tá vendo a minha cara? Não tá ouvindo essa voz esquisitona? Tá vendo esses peitões, que coisa estranha??
- Ih, dona Arlete, a senhora tá em crise de novo? Quer um chazinho no lugar do café? Já sei, a batalha ontem foi ruim.
- Arlete? Batalha? Aparecida do que é que você tá falando?
- Tá bom, já entendi. Vou lá na rua, buscar sua bota de pelúcia azul no sapateiro, e trago um Calminex na volta, tá? Enquanto isso a senhora fica quietinha aí.
- Aparecida, tá tudo muito errado! Tá tudo muito estranho!!
Não deu tempo de falar mais nada. Aparecida saiu e levou junto um poodle que ela nunca tinha visto na vida.
Pensou em voltar para a cama para tentar acordar de novo, com as coisas como eram antes. Pensou em chorar.
Pensou....pensou...hesitou...deu outra espiadinha no espelho. De cima até em baixo.
- Se eu chorar, vai descolar minhas pestanas.
.....suspiro....
- Acho que virei um travesti.
Não teve coragem para conferir o que tinha por baixo da samba-canção de seda púrpura. O cheiro de Chanel nº 5 que exalava dos - agora longos e louros - cabelos estava a deixando inebriada.
- É isso. Arlete...peitões de silicone...bota de pelúcia azul...É, nega. I will survive.
Pulou da cama, arrancou a camiseta e fechou a porta do quarto, pra que ninguém descobrisse a novidade esquisotérica antes que lhe ocorresse uma explicação plausível. Também porque era o maior espelho da casa, aquele de trás da porta. Não deu tempo de avaliar os novos peitos. Parou - congelou - olhando para a própria cara, irreconhecível. Sua boca estava delineada com um lápis marrom e os lábios cintilavam no batom dourado. Os olhos....e isso eram olhos? Sobravam pestanas, os tufos de cílios postiços enormes, fizeram-na lembrar da infância, quando tinha medo de uma caixinha com pestanas pretas de mentira que a mãe guardava na gaveta do banheiro, junto com um tubinho micro de cola. Pois agora estavam lá, penduradas nas suas pálpebras.
Pensou em tocar na imagem refletida, mas quando aproximou a mão do espelho descuidadamente, as unhas estalaram contra o vidro. Tão grandes, que a ponta dos dedos não sentiam o frio do espelho. Aquelas eram garras, e estavam pintadas com uma cor intraduzível, com glitter por cima.
Ergueu a sombrancelha - agora finíssima e muito arqueada, tão fake quanto o resto, rabiscada sem vergonha. O que se passava, afinal? Quem era aquela figura esquisita tomando conta do seu pedaço?
Não teve tempo de esperar uma resposta - a empregada entrou sem cerimônia, colocou uma bandeja com café e comprimidos em cima da cama e deu bom-dia sem espanto.
-Aparecida? (ARGH! O que aconteceu com a minha voz????)
- Que é que houve, patroa?
- Você não tá me achando estranha? (a voz continuava errada, como se estivesse se curando de uma faringite)
- Tô não senhora. Tá sentindo bem?
- Aparecida, você não tá vendo a minha cara? Não tá ouvindo essa voz esquisitona? Tá vendo esses peitões, que coisa estranha??
- Ih, dona Arlete, a senhora tá em crise de novo? Quer um chazinho no lugar do café? Já sei, a batalha ontem foi ruim.
- Arlete? Batalha? Aparecida do que é que você tá falando?
- Tá bom, já entendi. Vou lá na rua, buscar sua bota de pelúcia azul no sapateiro, e trago um Calminex na volta, tá? Enquanto isso a senhora fica quietinha aí.
- Aparecida, tá tudo muito errado! Tá tudo muito estranho!!
Não deu tempo de falar mais nada. Aparecida saiu e levou junto um poodle que ela nunca tinha visto na vida.
Pensou em voltar para a cama para tentar acordar de novo, com as coisas como eram antes. Pensou em chorar.
Pensou....pensou...hesitou...deu outra espiadinha no espelho. De cima até em baixo.
- Se eu chorar, vai descolar minhas pestanas.
.....suspiro....
- Acho que virei um travesti.
Não teve coragem para conferir o que tinha por baixo da samba-canção de seda púrpura. O cheiro de Chanel nº 5 que exalava dos - agora longos e louros - cabelos estava a deixando inebriada.
- É isso. Arlete...peitões de silicone...bota de pelúcia azul...É, nega. I will survive.
domingo, 19 de agosto de 2001
Percebi que minhas palavras são muito velhas.
Tudo já foi dito. Não há novidade em falar ou escrever.
Nada de revolucionário, fora do silêncio.
Tudo previsível, tudo repeteco, tudo comum.
Em muitos momentos me identifico com o papagaio histérico da minha vizinha da frente.
"Quando velhas palavras morrem na língua, novas melodias brotam no coração", dizia Tagore.
Tudo já foi dito. Não há novidade em falar ou escrever.
Nada de revolucionário, fora do silêncio.
Tudo previsível, tudo repeteco, tudo comum.
Em muitos momentos me identifico com o papagaio histérico da minha vizinha da frente.
"Quando velhas palavras morrem na língua, novas melodias brotam no coração", dizia Tagore.
domingo, 12 de agosto de 2001
quinta-feira, 9 de agosto de 2001
-...mas eu só estava tentando ser agradável...que mal há nisso?
- Isso é o que você faz sempre, mas..convenhamos. Não é a melhor estratégia, pelo menos, não o tempo todo.
- E o que você esperava de mim? Que eu mandasse todo mundo se f*(com o perdão da má palavra)? É isso que você chama de estratégia que funciona...faz-me rir!
- De vez em quando presta. Faz as coisas andarem, entende? Vem cá, por que você não fala palavrão? Fala assim, ó, é fácil: se fo-der. Repete.
- Não, obrigado. Prefiro manter a categoria.
- Hehehehe....categoria, né? Tá. Você devia é se meter numa armadura, enfiar um elmo, empunhar uma espada e ensandecer, desferindo golpes a três por quatro!!!
- Ahã.
- Cadê sua armadura? Você tem uma, não tem?
- Mandei polir.
- Quê?
- Mandei polir. Faço isso com frequência. Não saio desarrumado, vc nunca se deu conta?
- Mandou polir....eu sei que você é elegante, mas precisa tanto fricote?
- Não é fricote. O diabo mora nos detalhes. Gosto de seduzir, antes de degolar. Esse é o expediente de um Marte em Libra.
- Isso é o que você faz sempre, mas..convenhamos. Não é a melhor estratégia, pelo menos, não o tempo todo.
- E o que você esperava de mim? Que eu mandasse todo mundo se f*(com o perdão da má palavra)? É isso que você chama de estratégia que funciona...faz-me rir!
- De vez em quando presta. Faz as coisas andarem, entende? Vem cá, por que você não fala palavrão? Fala assim, ó, é fácil: se fo-der. Repete.
- Não, obrigado. Prefiro manter a categoria.
- Hehehehe....categoria, né? Tá. Você devia é se meter numa armadura, enfiar um elmo, empunhar uma espada e ensandecer, desferindo golpes a três por quatro!!!
- Ahã.
- Cadê sua armadura? Você tem uma, não tem?
- Mandei polir.
- Quê?
- Mandei polir. Faço isso com frequência. Não saio desarrumado, vc nunca se deu conta?
- Mandou polir....eu sei que você é elegante, mas precisa tanto fricote?
- Não é fricote. O diabo mora nos detalhes. Gosto de seduzir, antes de degolar. Esse é o expediente de um Marte em Libra.
Ming
Quando ela se engasgava, se traía
e a fúria abandonava seu quartel.
E se espalhava, impetrava, se expandia,
pulava a muralha da China,
queimava dragões de papel.
Eu não ligo pra Mandarins,
porém venero os velhos ancestrais.
E se o futuro nas folhas do chá for ruim,
fecho o tempo e caem os temporais
que Lig Lig Lé abomina.
Eu gosto das flores da China.
Me fascina o seu vermelho.
Lig Lig Lé, vem comigo
invadir o Ocidente.
Lig Lig Lé, vem comigo
fritar macarrão.
Lig Lig Lé, vem comigo,
me ajuda a mexer os pauzinhos.
Lig Lig Lé, não liga
pros meus temporais.
O raio e o trovão
são apenas efeitos especiais.
Quando ela se engasgava, se traía
e a fúria abandonava seu quartel.
E se espalhava, impetrava, se expandia,
pulava a muralha da China,
queimava dragões de papel.
Eu não ligo pra Mandarins,
porém venero os velhos ancestrais.
E se o futuro nas folhas do chá for ruim,
fecho o tempo e caem os temporais
que Lig Lig Lé abomina.
Eu gosto das flores da China.
Me fascina o seu vermelho.
Lig Lig Lé, vem comigo
invadir o Ocidente.
Lig Lig Lé, vem comigo
fritar macarrão.
Lig Lig Lé, vem comigo,
me ajuda a mexer os pauzinhos.
Lig Lig Lé, não liga
pros meus temporais.
O raio e o trovão
são apenas efeitos especiais.
domingo, 5 de agosto de 2001
Aaaahhhhh..sou EU!!
Divina, divinésima estou me sentindo, sendo a primeira entrevistada do Repórter Mosca!
Saí na edição de Domingo, na íntegra!
Eu sabia, sabia que ainda teria os meus quinze minutos de fama.
Thanks, Mosca! Much too kind of you...
Divina, divinésima estou me sentindo, sendo a primeira entrevistada do Repórter Mosca!
Saí na edição de Domingo, na íntegra!
Eu sabia, sabia que ainda teria os meus quinze minutos de fama.
Thanks, Mosca! Much too kind of you...
segunda-feira, 30 de julho de 2001
Com licença poética
Adélia Prado
Quando nasci um anjo esbelto,
desses que tocam trombeta, anunciou:
vai carregar bandeira.
Cargo muito pesado pra mulher,
esta espécie ainda envergonhada.
Aceito os subterfúgios que me cabem,
sem precisar mentir.
Não sou tão feia que não possa casar,
acho o Rio de Janeiro uma beleza e
ora sim, ora não, creio em parto sem dor.
Mas o que sinto escrevo. Cumpro a sina.
Inauguro linhagens, fundo reinos
- dor não é amargura.
Minha tristeza não tem pedigree,
já a minha vontade da alegria,
sua raiz vai ao meu mil avô.
Vai ser coxo na vida é maldição pra homem.
Mulher é desdobrável. Eu sou.
Adélia Prado
Quando nasci um anjo esbelto,
desses que tocam trombeta, anunciou:
vai carregar bandeira.
Cargo muito pesado pra mulher,
esta espécie ainda envergonhada.
Aceito os subterfúgios que me cabem,
sem precisar mentir.
Não sou tão feia que não possa casar,
acho o Rio de Janeiro uma beleza e
ora sim, ora não, creio em parto sem dor.
Mas o que sinto escrevo. Cumpro a sina.
Inauguro linhagens, fundo reinos
- dor não é amargura.
Minha tristeza não tem pedigree,
já a minha vontade da alegria,
sua raiz vai ao meu mil avô.
Vai ser coxo na vida é maldição pra homem.
Mulher é desdobrável. Eu sou.
- Que é que tu tá falando, ô meu filho?
- Slow down.
- Que diabos,...ops (perdão).
- I know you ment it. Be cool.
- Fico aqui pensando porque é que tu nunca fala na língua certa.
- Cause love is such an old-fashioned word and love dares you to...
- Apelou! Fuck you!
- I bet you knew the lyrics by heart. Hahahahaha!
E esse réquiem tem letra?
quinta-feira, 26 de julho de 2001
Tan, tan.. tan-tan-tan-tan-tan- tan, tan....
tan-tan-tan-tan-tan- tan, tan....
tan-tan-tan-tan-tan..TAN!
Todo mundo lembra da abertura da Jeannie é um Gênio, né?
Aquela mulher tinha que ser Barbara....tem o paraíso no nome!
Eu até que gostava da Samantha. Mas aquele "pirulirulim!" que acompanhava as tremidinhas do nariz dela nunca me convenceu.
O melhor naquele seriado era a Endora, que usava sombra verde e delineador carregadésimo nos olhos.
Bruxona porreta.
tan-tan-tan-tan-tan- tan, tan....
tan-tan-tan-tan-tan..TAN!
Todo mundo lembra da abertura da Jeannie é um Gênio, né?
Aquela mulher tinha que ser Barbara....tem o paraíso no nome!
Eu até que gostava da Samantha. Mas aquele "pirulirulim!" que acompanhava as tremidinhas do nariz dela nunca me convenceu.
O melhor naquele seriado era a Endora, que usava sombra verde e delineador carregadésimo nos olhos.
Bruxona porreta.
- ???
- Ouviu? O espanador. Como é que você deixa isso ficar desse jeito? Tem poeira, teia de aranha...
- Hehehe. Teia de aranha é de se esperar. Faz tempo que não apareço aqui.
- Você devia ser mais cuidadosa com suas coisas. Ninguém progride na vida, desse jeito.
- Ok, só que este é um espaço virtual, não é uma coisa. Vá fazer o seu serviço. Aliás, quem é você pra me dar ordens?
- Se é seu, você tem que cuidar. Releia o Pequeno Príncipe, minha filha. Vai lhe fazer bem. E passe mais tempo conversando com sua avó. Ela vai lhe ajudar a lembrar o que são capricho e boas maneiras. Sou a Lua em Capricórnio. Entendeu bem?
- Sim senhora. Entendi. Desculpe o tom.
- A vida é assim...eu devo merecer sua ingratidão.
- Caceta!!! Foi mal...
- Olha os modos!!!
domingo, 15 de julho de 2001
sábado, 14 de julho de 2001
No Grande Theatro de Fusili,
todo mundo desempenha um papel.
Todo mundo faz Fusili rir.
Fazemos graça para uma platéia invisível
que nos aplaude enquanto somos patéticos.
Na verdade, depois de bem pouco tempo
de espetáculo em cartaz,
passamos as tardes de folga cerzindo as cortinas
que escondem o tablado.
todo mundo desempenha um papel.
Todo mundo faz Fusili rir.
Fazemos graça para uma platéia invisível
que nos aplaude enquanto somos patéticos.
Na verdade, depois de bem pouco tempo
de espetáculo em cartaz,
passamos as tardes de folga cerzindo as cortinas
que escondem o tablado.
quinta-feira, 12 de julho de 2001
- Senhora Vênus....
- Hein?
- Como é que você foi parar em Aquário?
- Sei lá, escorreguei.
- Ok. A senhora poderia assim....tirar umas férias...em Capricórnio?
- Sem chance. Tem muita gente lá. Preciso de ar.
- Mas, uma vez lá, a senhora não vai se importar com as companhias...
- Hã, hã. Não vou. Vou gastar o seu dinheiro um pouco, porque você anda muito pastel. Vá comprar uns badulaques novos. Vem cá, por que vc não faz uns reflexos vermelhos no cabelo? Ia ficar interessante.
- Eu estou falando sério.
- Esse é o seu problema. Não estou ouvindo, não percebeu?
(ela põe os dedos nos ouvidos e fica cantarolando).
- Hein?
- Como é que você foi parar em Aquário?
- Sei lá, escorreguei.
- Ok. A senhora poderia assim....tirar umas férias...em Capricórnio?
- Sem chance. Tem muita gente lá. Preciso de ar.
- Mas, uma vez lá, a senhora não vai se importar com as companhias...
- Hã, hã. Não vou. Vou gastar o seu dinheiro um pouco, porque você anda muito pastel. Vá comprar uns badulaques novos. Vem cá, por que vc não faz uns reflexos vermelhos no cabelo? Ia ficar interessante.
- Eu estou falando sério.
- Esse é o seu problema. Não estou ouvindo, não percebeu?
(ela põe os dedos nos ouvidos e fica cantarolando).
quarta-feira, 11 de julho de 2001
Recado do Hans:
*saudade*, no visor do celular.
Meu precioso amigo me ajudou a descobrir o Renato Russo numa hora em que eu queria morrer - ou matar alguém, sei lá.
"O que foi escondido é o que se escondeu
E o que foi prometido, ninguém prometeu".
Não é que é mesmo?
Custou pra cair a ficha, mas anos depois ninguém precisa cantar pra me lembrar:
"nem foi tempo perdido."
Hans é sabido. E querido. Como a maioria dos cachorros vadios que eu conheço.
É gente da minha espécie. Morre, não deita e renasce - três vezes por dia.
*saudade*, no visor do celular.
Meu precioso amigo me ajudou a descobrir o Renato Russo numa hora em que eu queria morrer - ou matar alguém, sei lá.
"O que foi escondido é o que se escondeu
E o que foi prometido, ninguém prometeu".
Não é que é mesmo?
Custou pra cair a ficha, mas anos depois ninguém precisa cantar pra me lembrar:
"nem foi tempo perdido."
Hans é sabido. E querido. Como a maioria dos cachorros vadios que eu conheço.
É gente da minha espécie. Morre, não deita e renasce - três vezes por dia.
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