sábado, 17 de agosto de 2002

In the quiet of the night,
Let our candle always burn.
Let us never lose the lessons
We have learned.



Os pássaros têm pupilas enormes e quase não piscam.
Isso é assustador.
Me sinto segura com as pupilas dos gatos, quando se concentram:
quase um fio.


sexta-feira, 5 de julho de 2002

And she´s buying a stairway to heaven.
Blá.

segunda-feira, 10 de junho de 2002

Ritos de passagem

As lágrimas apagam o fogo.
O tempo apaga as fotos.
Os filhos apagam as velas do bolo
e tudo fica eterno.
O branco amarela.
A vida embranquece depois da negritude.
O mundo se colore - e tudo é só um instante.

terça-feira, 28 de maio de 2002

O tempo vai passar.
Meus filhos vão crescer (às vezes eles já são grandes).
Meus cabelos vão perder a cor (que já é instável).
Algumas pessoas que eu amo vão embora (e dá pra sobreviver a isso - eu sei).
Tanta coisa assustadora pela frente e eu acreditando sempre que do chão não passo.
É nisso que dá ser a porta da rua da própria casa.

quinta-feira, 16 de maio de 2002

Cuernavaca nasceu pra ser um lugar divertido.
Entre burritos e tequila, dias de muita sede,
uma disritmia entrópica me aquece.
Bom esse calor, quando se está longe de casa.
Sofro de saudade compulsiva!

quarta-feira, 10 de abril de 2002

Lulu Kati Kati - isso é suahili - quer dizer "o centro", "aquilo que está no meio".
Estava escrito num muro de Johanesburgo, e imagino se não fui até lá só pra ler isso e
me dar conta de que não importam as coordenadas.
No dia do equinócio que passou, eu vi um arco-íris no céu da África.
Voltei de lá mais colorida. O sol transita pelo meu ascendente e eu transponho a
fronteira dos dias e noites iguais.

quarta-feira, 6 de março de 2002

Hai-kai

quem ri quando goza
é poesia
até quando é prosa

Alice Ruiz

segunda-feira, 4 de março de 2002

Eu já tive medo da felicidade. Hoje em dia, somos amigas.
Às vezes, quando a sua presença é avassaladora, confesso que ainda tenho
um olhar desconfiado. Fico imaginando: quando é que ela vai levantar daqui e ir embora?
É uma bobagem, isso.
Essa senhora tem cadeira cativa na minha vida e está sempre de bandeira em punho nos jogos de decisão.

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2002

Meu pai-de-santo diz que o ano começa hoje.
Esse ano estou com vontade de celebrar muitos anos-novos.
Um pra cada perdão que entrar em mim.

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2002

Meus amigos queridos estão bem, isso me faz feliz.
Às vezes paro pra pensar no quanto eu amo algumas pessoas, e por que
o faço tão silenciosamente. Não sou dada a conversas longas, não tenho
paciência pra muitos e-mails, sou quase sempre lacônica.
Para alguns amigos (geralmente, os mais antigos) eu custo a telefonar, passo tanto tempo sem ver...o que me
redime (porque eu me culpo e me puxo as orelhas) é que o amor que eu sinto por cada um deles continua igual.
Quando há o encontro, a confidência flui, o reconhecimento é instantâneo, a sintonia é fina.
O tempo é realmente uma bobagem para a qual damos atenção demais.
Me distraio tentando desinventar - hoje posso dar colo ao meu pai e pedir a bênção ao meu filho.

Pra isso servem as férias: pra trazer os comentários de volta.
Não sem briga, diga-se de passagem. Levei uma surra pra
enfiar essa coisinha aqui.

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2002

E tem mais.
Custou pra cair a ficha.
Descobri que estou sem comentários.
Às vezes penso que a luz caiu. A corrente elétrica, quero dizer.
Escurece por um instante e depois tudo volta às claras. Nunca tenho certeza se
foi pane elétrica ou se foi pane nas minhas pálpebras.
Tenho a forte impressão que esses quase apagões - que duram ínfimos segundos - são uma pestanejada mais demorada.
Tenho quase certeza de que só eu percebo o quase escuro, e me pergunto se isso acontece com todo mundo.
Ou se apenas as minhas pálpebras hesitam, de vez em quando.
Talvez seja uma vontade absurda de fechar os olhos - pra que, não sei.
É claro que todo mundo tem esses questionamentos abestados.
No meu caso, é por causa do escurinho.
Confesso que também custo a acreditar que deja vú não seja uma experiência unicamente minha.
Assim como as sincronicidades.
***
Well, é bom demais passar por aqui - só vim porque achei que precisava deixar registrado em algum lugar que eu cheguei à conclusão, dentro do táxi, que em minha próxima existência quero ser um whirlwind. Nem que seja como o Diabo da Tasmânia. Porque nutro a idéia - cada dia mais parruda - que a gente encontra Deus numa espiral.
Coisas de deusa antiga, de Giramundo, de Cho Ku Rei. Até de chacrete, quem sabe...
***
Meg. Fausto. Carol. Rick.
Eu confesso: exulto quando vocês me citam nos seus blogs.
Vissem? Caí na arapuca.
Eu posso ser pretentious, vez por outra. Pretender, não.
Love ya.

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2002

Eu continuo achando que um novo mito é preciso.
Porque de Narciso eu ando de saco cheio, e não é de hoje.
Vaidade é ranhetice demais e entedia. Quando caio nessa arapuca me sinto tremendamente velha.
Eu queria um vento novo, um novo ser humano possível anunciado.
Eu queria uma revelação, uma jornada inusitada, um espanto.
Que enjôo.

terça-feira, 22 de janeiro de 2002

Inspirou profundamente pela narina direita. Contou até oito e expirou lentamente pela esquerda. A posição era de lótus, e as mãos dispostas da maneira correta para ativar shakti.
Meia hora nessa brincadeira. Quando estava quase desistindo de qualquer elevação, abriu-se um pop up em sua tela mental. Uma mensagem do alto. Baixou um arquivo do seu registro akáshico. A mensagem brilhou à sua frente:
A ingnorança é que atravanca o pogresso.
Pode crer. Nós, o povo das estrelas, sabemos mesmo das coisas!!!
Disse tudo.

quinta-feira, 3 de janeiro de 2002

Chamadinha básica para 2002:

Niente senza gioia

sábado, 29 de dezembro de 2001

No ano que entra
eu quero fazer uma conta não muito exata.
Pretendo ir além da conta.
Olhar mais pra longe, para o próximo distante,
empunhar cordas e picaretas pra sair deste buraco
que é o meu umbigo (ouvi dizer que é logo ali,
entre as duas colinas ao Norte, que mora o Sol).
Também quero rir mais.
Fazer exercícios de língua pra não falar bobagem,
Andar de conversível pra encher a boca de vento.
Quiçá, usar as pontas dos dedos para somar e dividir,
de maneira que meu restante não sobre.

terça-feira, 18 de dezembro de 2001

Dias estranhos, esses.
Há que se falar, há que se escrever -
o risco do silêncio é o ostracismo.
Não se manifestar sobre o que quer que seja pode ser a morte virtual.
O silente vira o ex, vira o outro - quiçá, um terrorista.
O compromisso é com o verbo, mesmo que sem princípio.
Strange days, indeed.
Não há lugar para o espaço entre dois pensamentos.
Isso me apavora. Não quero ser escrava da instantaneidade.
Vou continuar cedendo aos amplos vazios e à quietude sem reticências.