quinta-feira, 13 de maio de 2004

Uma das características das grandes revelações que acontecem na vida da gente é que elas chegam quando são mais necessárias. As revelações desnecessárias simplesmente não são percebidas, porque não se encaixam em nenhum processo, nenhum contexto que lhes dê sentido. Podem ser importantes mas, porque não somos capazes de apreendê-las, se tornam desnecessárias. É por isso que lemos milhares de palavras, abrimos dezenas, centenas de livros, consumimos um número incontável de informações até que – tchan! - uma faz sentido e muda nossa vida. Às vezes, três palavras são suficientes pra nos fazer entender que tudo o que temos feito é uma grande bobagem – ou não. Na maioria das vezes, é, sim, uma grande bobagem.

Pois abri outro dia desses um livro sobre física quântica e coisas que tais, mudanças de paradigmas, e tudo isso que os arautos da Nova Era têm proposto e popularizado nos últimos anos. Está escrito lá que a matéria, todos os corpos, são 99,9999 por cento espaço vazio. Na mesma hora, uma grande interrogação se acendeu na minha cabeça: por que diabos eu faço dieta??

terça-feira, 11 de maio de 2004

Os maus pensamentos são como bolhas de sabão: a gente sopra e eles geralmente estouram, vão embora. O problema das bolhas de sabão é que às vezes, quando estouram, pinga aquela água ensaboada no olho da gente e arde muito. Com os maus pensamentos também é assim. Tem horas em que eles estouram, respingam e a gente chora.

Mudando de pesamento...

quinta-feira, 29 de abril de 2004

E quando Shiva Nataraja dança, tudo perece e se recria - o fogo ao redor é vida, os olhos parados, consciência.

Quando ele dança, quem é esperto descansa.

segunda-feira, 12 de abril de 2004

Na quinta-feira santa tive um acesso de vômito de palavras. Falei para quase estranhos sem parar, sobre um tema que carrego desde que me entendo.

Passei a sexta-feira em penitência. Que vergonha da verborragia! Mal saboreei o jantar. Fui chata.

No sábado, aleluia! Meus excessos não costumam ser à toa (diferentemente de minhas penitências). Entrei numa livraria de Ipanema e encontrei "A Deusa Branca", do Robert Graves. Há anos pensava em comprar esse livro. Foi preciso ser tratorada pelo inconsciente pra finalmente ir ao seu encontro.

quarta-feira, 31 de março de 2004

No meio de muita coisa importante sempre tem uma desimportante. Essa coisa desimportante faria a vida diferente.
Com gente, é a mesma coisa. Eu gosto de gente desimportante. Essas fazem o mundo diferente.
;-p

sexta-feira, 19 de março de 2004

Ilê Omolu e Oxum, Ilê Yá Omim Dayê Axé Obalayó, Ilê Axé Gantois, Ilê Axé Oxumarê, COMDEDINE, ASS. AFRO-SEC., CEAP, CETRAB,
Koinonia, ICAPRA, COBRA, NEXPP, Cia. É Tudo Cena!, FENACAB, IRMAFRO, INAEOSSTECAB, Afoxé Filhos de Gandhi...e EU!

Todos de branco, na minha área - vai ter passeata no Leme, a partir das oito da manhã (o horário é ingrato, mas o Ilê merece o esforço).

Dia 21 de março é "Dia Internacional pela Eliminação da
Discriminação Racial". Essa data foi criada em memória do massacre de Sharpeville
(1960), África do Sul. Desde então dia 21/03 está agendado em todo mundo para
mobilização e reflexão contra a intolerância racial e pela liberdade de expressão.

Oscilando entre um Eparrei! e um Ora Iê Iê Ô, eu vou lá conferir a irmandade. Em homenagem à minha vó libanesa (cristã maronita radical), meu avô italiano, (kardecista radical) e meu pai (um medroso radical de tudo que fôsse do além). Vou de nega radical abrir a boca contra a intolerância. Tô apostando que no domingo de São Miguel a nêga vira na Oxum, chora tudo que é preciso pra ser feliz, e depois empunha a espada e solta gargalhada bem alto...

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2004

A água tá cara. E vai ficar mais ainda. A lata dela tá cheia. Equilibrada na cabeça, não desperdiça nenhuma gota, por mais sacolejo inesperado ou remelexo proposital. Não cai um pinguinho da lata da nêga, plena até a borda, cintilante quando bate sol.

terça-feira, 24 de fevereiro de 2004

Nã há incômodo nenhum em sambar na chuva. Sequer uso solas antiderrapantes, porque faz parte do meu show o swing inesperado em busca do equilíbrio - e até o estabaco, quando é o caso. Não pode dizer que sabe sambar quem tem medo de cair.
A fantasia encharcada também não me amola. Se as penas murcham, as lantejoulas descolam e os cetins grudam no corpo, a gente canta o samba mais alto. Afinal, nasci berrando e sem fantasia...Nada como um rebirthing na avenida.
A chuva traz um efeito especial imprevisto e lindo. Quando a água toca a pele de quem, de fato, ferve na passarela, sai fumaça. Então ficam, os seres em ebulição, cercados da aura de vapor - quase inefáveis.
E aí, mais do que nunca, eu converso com Deus.

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2004

Comprei um pão a metro, meio metro de bordado inglês pra uma toalha de rosto, corri quilômetros esta semana e devo ter diminuído uma polegada na cintura.
Talvez eu me sentisse mais bacana se tivesse mais cinco centímetros de altura. Mas não há de ser nada. Tenho cada salto assim, Ó!

Tinha uma nêga que tinha um tamborim e um chicotinho de bater tamborim que enlouquecia a bateria inteira. Não porque fôsse exímia em nada - nem no samba, nem no batuque.
Mas é que ela inventava. Em cima da plataforma, fazia de tudo. E as percussões, os passistas, os mestres apitantes e os destaques dos píncaros, ficavam todos irritados. Tudo hesitava e se descontrolava quando a nêga cismava de inventar. Era um passo esquisito, um repique solitário, fora de hora, uma frase que não existia no samba. Era assim que ela sabia o Carnaval. E o resto, se aturdia.
Tinha gente que pensava que ela era louca e se incomodava com os imprevistos da nêga.
Ela nunca se amolou. Não tinha medo. Era feliz, e bem o sabia.

sexta-feira, 3 de outubro de 2003

Acho que meus cabelos já estão grandes o suficiente pra receber flores, rolinhos e presilhas.
Achei que nunca mais conseguiria deixá-los crescer, depois de 12 anos de nuca de fora. É gostoso o movimento dos fios, isso me agrada. Sempre posso mostrar a nuca de outras formas, quando tiver vontade.

quinta-feira, 11 de setembro de 2003

Setembro é primavera. Mês de virgem, balança, alianças.
Em outubro, verão.

quarta-feira, 20 de agosto de 2003

Parece que não consigo me livrar das interrogações.
Como a vida é paradoxo, elas aparecem bem no momento da mais deliciosa certeza.
Sejam bem-vindas.
A Malásia é um lugar fantástico.
Todo mundo fala inglês, tem melancia amarela e, em alguns lugares, banheiros luxuosíssimos com um buraco de louça no chão, no lugar do vaso sanitário.
Tem coisas fritas que não se pode imaginar o que sejam, tem tecnologia quase de graça e é dificílimo conseguir uma água com gás.

Quero voltar pra casa.

quarta-feira, 23 de julho de 2003

Não há o menor significado na paixão de quem não tem compaixão. Uma é o avesso da outra, nas pessoas verdadeiramente corajosas. E essas, são ventania a vida toda. Até quando tudo parece estático.

terça-feira, 10 de junho de 2003

Ah, moleque!
Na primeira vez em que olhei bem dentro dos olhos dele, uma surpresa. Tive tanto medo!
Desde então, se passaram dez anos e uma eternidade, porque pra um amor desse tamanho, tempo não se mede.
Continuo me assustando com seus olhares profundos - que vêm depois de um choro sentido, uma gargalhada debochada, um beijo de repente, que ganho todos os dias.
Muitas vezes, não tenho o que dizer a ele. Nem ele me pergunta muito. É como se soubéssemos tudo, juntos.
Agora, ele me vem com ânsias de independências e vergonhas injustificadas, e eu fico repetindo pra mim mesma: é o tempo, é o tempo.
Eu sempre soube que esses dias chegariam, e agradeço aos universos por estar neste presente. É o tempo, mesmo.
Que esperneia, dá frutos, tira o fôlego da emoção e me faz parir uma mãe nova por dia.

terça-feira, 13 de maio de 2003

Maravilhoso Plutão!
Tudo se regenera, se reconstitui, se reconstrói em versão melhorada.
Tá bonito, tá bonito....

sexta-feira, 25 de abril de 2003

Aguardo ansiosamente o sextil de Plutão com o ascendente.
Eu mudo, ele fala.
Eu muda, ele cala.
Ele some de vez em quando, em sua órbita irregular,
e volta, me fazendo entrar na minha sétima casa - quase passando para a oitava.
Plutão pulsa, eu pulso suave, às vezes, latejo.
No anular, no angular, no espelho.

sexta-feira, 11 de abril de 2003

Vamos ter um dia colorido,
olhares verdes se encontrando,
rubor por baixo de um vestido azul - comme il faut.
Dourado em círculos, rosa sobre a mesa e muito amarelo,
em doces de ovos renovadores de vida.
Vamos ter palavra e promessa,
alguns cabelos brancos que dão um tom sublime à data,
vento de mar com um cheiro que molha a gente
e espanta as cinzas.
Vamos ter festa.

terça-feira, 25 de março de 2003

Dizem que o amor é cego. Mentira. Ele tem astigmatismo.
De longe, as coisas ficam esquisitas, mas de perto, tudo funciona e fica perfeito.
Quando eu olho o amor de perto, fico meio estrábica. Vejo tudo em dobro, o que faz muito sentido.