sexta-feira, 12 de janeiro de 2007

Algumas mulheres são redemoinho, são tornado, são um vórtice criador e transmutador.
Por serem muito capazes de entregar o coração, se desfazem dos apêndices sem anestesia. No universo delas, não há perda, há compostagem de vida. São essas mulheres que me fazem respirar fundo e rir muito, porque a lágrima é leve, é fácil de carregar. Elas me ensinam a não cavar o solo pra conferir sementes, me ensinam a alegrar-me com o verde quando tudo que se vê é o negro da terra. Me ensinam a manter a cabeça em pé e as velas içadas.

Os ventos da graça sopram o tempo todo, você só tem que içar as velas.
(Ramakrishna)

Para Ilane Gehrs, que me ensina sem saber.
Então, os 40 chegaram. Vieram com água doce e trovoadas, como não podia deixar de ser. Tirei os olhos do computador, no final da tarde do fim dos 39 anos e vi a cachoeira na pedra em frente à minha casa, onde antes só havia pedra. Lavei a casa com alegria.

sexta-feira, 22 de dezembro de 2006

Cuando el cabrón lloró

Estava no táxi me despedindo de San Jose, a caminho do aeroporto. Quem me levava era Juan Fernando, um taxista colombiano que se irrita com a “arrogância costarricence e da maneira feia como são tratados os nicaraguenses aqui”. Falamos sobre o tratado da TLC, sobre a influência norte-americana no país e sobre o perigo que representam os chineses para o mundo.


De repente, no rádio, toca uma versão castelhana de “Menina Veneno”, do Ritchie. Comentei com Juan Fernando - “uma música brasileira!”. E ele me responde – pois é, mas o Roberto e o Nelson são incomparáveis.

- ?

- Roberto – o Rei.

- Ah, tá. E o Nelson, é o Nelson ....

- Ned!!

- Nelson Ned?

- Sííí...buenísimo cantante!

- Ahhh...si...es verdad [eu pensava por onde andaria o Nelson Ned].


Contei a Juanfe que o Nelson Ned não cantava mais no Brasil.

- Por que????

- Porque chamaram ele de anãozinho num programa de TV e ele “se enojó”.

- Ai!!! Que feo!!!

Engatei noutra noticia ruim: o Roberto sofre de depressão desde que a mulher dele faleceu.


Um silêncio absoluto no carro do Juanfe. Eu me distraí comendo uns plátanos com sal e limão e, de repente, dou uma espiada para o retrovisor. Juanfe chorava em silêncio.


Não quis dizer mais nada, bastava de más notícias. Sabe-se lá o que poderia acontecer com ele se eu contasse mais uma novidade daquelas. Se eu contasse que a Sandy não é mais virgem? Se eu contasse o final de “Chocolate com Pimenta” - novela que é retumbante sucesso aqui por essas bandas...? Se eu contasse...sei lá.


Achei melhor terminar a viagem em silêncio, com meus plátanos. Não se pode tirar as ilusões de um homem assim, de uma hora pra outra.

terça-feira, 19 de dezembro de 2006

Faltam 21 dias pros meus 40 anos.
Três semanas de sete dias - hoje é um dia e tanto, olha quanta Cabala!
Sendo assim, começa a série Re-capitulando.

*********************

Sábado, Abril 28, 2001

"A natureza dos gatos parece fundamentar-se no princípio de que nunca é ruim pedir o que se deseja."
Joseph Wood Krutch

Não é absolutamente delicioso? Nenhuma palavra faz sentido sem desejo.

*********************

Acho que foi nessa época que eu decidi ser gata de almofada. Funciona. Depois de cinco anos de prática, eu recomendo.

sexta-feira, 1 de dezembro de 2006

Eu não dou conta de tudo.
UEBA!
Não tenho que dar conta de nada. Posso não ouvir as mensagens na caixa-postal do celular, posso não fazer o jantar, posso não trabalhar amanhã, posso fazer tudo errado e me divertir com isso.
Vou imprimir esse post e tirar xerox. Vai ser minha filipeta do evento pessoal deste fim de semana. Vou distribuir 400 filipetas destas pra mim mesma ao longo do dia e me embebedar - de tequila, óbvio - na noite de sábado. Com nargueela sabor melão amarelo.
E a partir de janeiro de 2007 vou tratar de ganhar dinheiro dando idéias aos outros.

quinta-feira, 23 de novembro de 2006


Red hot chilli peppers!

domingo, 19 de novembro de 2006


Eu amo esse mês escorpiano. Os anúncios de verão. Os picos de primavera em mim e ao meu redor. Um vento mais morno entre as árvores, a luz rosa das seis da manhã. Tudo que eu planto, dá.

sexta-feira, 6 de outubro de 2006

A Elza Soares berrando no Ipod, peguei o sabão em pó em promoção, as flores amarelas também. Fui de plataforma, fui de barriga de fora, tudo que eu posso enquanto dá. Sem vergonha de requebrar com a bateria da Mocidade Independente, assim tem sido.

Canto alto. Quem quiser que escute - na fila.

terça-feira, 3 de outubro de 2006

Te adorando.
Daqui eu fico, detrás da escrivaninha, atenta ao som do freio antes do quebra-mola.
O que me embalou o dia foi a lembrança da tua nuca no travesseiro, no lusco-fusco das quatro da manhã.
Você chega, eu desabrocho com a lua que sobe.

domingo, 17 de setembro de 2006


Eu acredito muito que todo mundo precisa de um herói ou heroína. Também acredito que todo mundo precisa de um mito e que todo mundo precisa de uma missão.

Estamira me fez chegar mais perto dessas três coisas - de minha heroína, de meu mito, de minha missão.

Ela revela as verdades na sua pureza, na sua lucidez, na sua sagrada invisibilidade.

domingo, 3 de setembro de 2006

:::Só um minuto:::

No dia 17 de setembro, não perca:
Just-a-minute (Só um minuto) - uma iniciativa mundial que visa despertar a consciência de que todos nós temos a capacidade, o poder e a responsabilidade de criar um mundo melhor

Utilizando tecnologia multimídia, teatro, música, dança e conexão de alta velocidade, será apresentado, ao mundo, um modo de vida pacífico, através do poder de intervalos de um minuto de silêncio. 100 países estarão interligados em transmissão simultânea.
Da Arena de Wembley (Londres) o mundo estará interconectado em Just-a-minute: http://www.just-a-minute.org

Só-um-minuto é fácil, simples e acessível a qualquer um, em qualquer lugar do mundo, de qualquer raça, religião ou em qualquer circunstância. Seja na política, nas finanças, nas artes,
na educação, nos esportes, em casa ou durante qualquer outro tipo de atividade, só-um-minuto pode contribuir com excelência, com integridade e com os valores mais elevados para um mundo que está em acelerada transformação.
Quando nós mudamos, o mundo muda…

Este projeto belíssimo da Brahma Kumaris está sendo lançado mundialmente em 17 de setembro de 2006, domingo, das 12:00 às 14:30. No Rio, as atividades acontecem no Teatro João Caetano, Centro - Rio de Janeiro - RJ. A entrada é franca.

Dê a si mesm@ o minuto! Você e seu mundo merecem.

sexta-feira, 11 de agosto de 2006

Leia o Apelo internacional – Por um cessar-fogo imediato e incondicional.
Assine aqui.
E veja quem assinou.

sexta-feira, 28 de julho de 2006

Minha amiga me disse: "fracassei exitosamente".
Haja sabedoria.
Entre um ceviche e outro, descubro que o melhor de Quito é me sentir confortável entre vulcoes que podem cuspir fogo de uma hora pra outra.

sexta-feira, 14 de julho de 2006

Está lá, no arquivo:

******************
Quarta-feira, Julho 11, 2001

Recado do Hans:
*saudade*, no visor do celular.
Meu precioso amigo me ajudou a descobrir o Renato Russo numa hora em que eu queria morrer - ou matar alguém, sei lá.
"O que foi escondido é o que se escondeu
E o que foi prometido, ninguém prometeu".
Não é que é mesmo?
Custou pra cair a ficha, mas anos depois ninguém precisa cantar pra me lembrar:
"nem foi tempo perdido."
Hans é sabido. E querido. Como a maioria dos cachorros vadios que eu conheço.
É gente da minha espécie. Morre, não deita e renasce - três vezes por dia.

posted by Bellatrix @ 8:38 AM

****************

O que vinha mesmo depois, na poesia? "Nem foi tempo perdido"...
"somos tão jovens, tão jovens".
Hans é jovem. Sempre será. Assim como sempre será querido. Onde quer que vá, onde quer que esteja, é como eu - morrendo e renascendo.
Não foi tempo perdido, querido. Tão jovem. Vou cantar pra te lembrar, sempre.
Saudades - em todos os visores.

quinta-feira, 13 de julho de 2006

Para viver a paixão com compaixão é preciso despir-se. Tirar, peça por peça, de cima de si os anos, as palavras repetidas sem inocência, as memórias e seus mecanismos encarceradores, os véus.

Desnudar-se é a única forma de mergulhar na paixão compassiva, aquela que liberta e cura, a que desvenda e revela. Nus, não precisamos de reflexos - não há nada que possa estar no lugar errado, nada que não combine ou destoe.

Nus, nós somos únicos, íntegros, generosos, corajosos - e aí sim, podemos ser compaixonados.

segunda-feira, 12 de junho de 2006

Porque um dia ela acordou e ainda era tarde.
Seu amigo invisível lhe apontou Bellatrix no céu. Tantas palavras para o céu acima, a Bellatrix distante.

O amigo invisível pousou o indicador sobre os lábios, e em seus olhos se lia: caluda...ninguém ousaria desobedecer.

Um pássaro desorientado no espaço e no tempo bateu forte contra a janela, lhe causando calafrios. Memórias coloridas, emplumadas, voadoras, afoitas.

Voltou para a cama, o corpo pedia. O céu púrpura delatava - ainda era cedo.

domingo, 14 de maio de 2006

Está lá no Abraham Hicks:
There are as many different worlds being lived by as many different perceivers of the world as there are.

Eu gosto muito do mundo que percebo.
É um mundo de flores secas no caldeirão da trisavó.
Mundo de hibiscos-colibri e colibris sem-vergonha.
É um mundo apaixonado, um mundo de cremes doces, de pé de pimenta.
Gosto do mundo que percebo - múltiplo, como as estrelas que empoeiram meu teto.

quarta-feira, 26 de abril de 2006

Uma garrafa e meia de vinho à beira da piscina.
Três caquis no pé, incontáveis pitangas, até as do chão, as mais gordas, irresistíveis.
Quarenta minutos de corrida ao som do Black Eyed Peas, lose control, all body all soul, serotonina não excede jamais e o suor me energiza.
A vida não foi feita pra gente comer de garfo e faca. Desavergonhadamente lambo os dedos.

domingo, 23 de abril de 2006

"Quero dizer, com toda seriedade, que muitos malefícios estão sendo causados no mundo moderno pela crença no caráter virtuoso do trabalho, e que o caminho da felicidade e da prosperidade é a sua redução organizada". Bertrand Russel, O Elogio ao Ócio.

Acho que um pouco mais de ócio salvaria almas. Pra mim, a cadeira de balanço é um altar.

domingo, 19 de março de 2006

Me interessa demais o pós-morte. Gostaria muitíssimo de encontrar mais pessoas pós-mortas. Um dia, vou enviar cartas do pós-morte para pessoas queridas, que amo, mas que ainda não aprenderam a morrer.

Lamento às vezes pelos quase-vivos...e aí estou incluída, nos dias de esquecimento. Se eu fosse um pouco mais religiosa, acenderia velas por todos os quase-vivos. Uma vela roxa pela ambição quase-viva de permanência, de segurança, de estabilidade. Uma vela amarela pelo desejo quase-vivo de reconhecimento e respeito...ah, o respeito! Uma vela azul-marinho pela mediocridade dos dias sem susto e sem improviso, aqueles dias bem conhecidos dos quase-vivos - dias de pisar nas florezinhas do caminho, nos quereres, nos sonhos, nos ex-amores, ex-mestres, ex-amigos.

Uma vela negra pela quase-vida dos que se crêem - ou se pretendem - importantes e uma mini-vela escarlate por cada palavra e gesto quase-vivo de tentar impressionar.

Deveria ser criado o dia dos ex-mortos, um dia depois do dia de nenhum santo, do dia de todos os pecadores, ou do dia de todos os esquecidos. Seria um dia de gargalhadas intermináveis, de cânticos que nos fizessem dançar, de farra, mesmo. Daquelas, bacantes, cujo superego dos quase-vivos não hesitaria em condenar. Não seria necessariamente uma festa da carne, mas seguramente uma festa da vida pós-morte em vida. De carne, osso, fruto e espírito, alma e consciência, sexo manifesto e imanifesto, fome e saciedade de tudo que é verdadeiro e efêmero. A festa da presença, a festa do agora.